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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Consangüinidade, uma técnica, muitas dúvidas.

O Vida de Periquito busca informar seus leitores sobre assuntos que interessam no melhoramento da criação de periquitos e desta maneira traz a informação de pessoas que labutam nesta área e gratuitamente nos trazem as informações.

CONSANGUINIDADE
Fulvio Lucietto.
Juiz OBJO (Ordem Brasileira de Juízes da Ornitologia).


Hoje em dia é realmente fato que a utilização da consangüinidade, quando aplicada de maneira correta, pode trazer grandes benefícios para um programa de seleção genética consistente. No entanto, há várias maneiras de utilizá-la.

A consangüinidade muito próxima, entre pais e filhos, irmãos próprios e até mesmo meio-irmãos não é o método mais utilizado em programas de seleção genética de médio e longo prazo, que visam principalmente o aprimoramento genético consistente. Esses acasalamentos citados, embora possam ser realmente úteis em situações específicas, irão proporcionar em um curto período a produção de "clones" do indivíduo fundador da linhagem. Esse, certamente não é o principal objetivo de um programa consistente de aprimoramento genético que, como o próprio nome diz, busca sempre "ir além", produzindo a cada geração indivíduos mais elaborados.

Nesse tipo de programa de seleção genética, os acasalamentos mais utilizados são aqueles que abrangem a consangüinidade mais distante, como por exemplo, "Tio-Sobrinho", "Avós-Netos" e muito esporadicamente em casos de real necessidade para se perpetuar algum patrimônio genético "quase" extinto, os chamados meio-irmãos. Não bastasse isso, a consangüinidade mais próxima (pais com filhos, irmãos com irmãos) aumenta em muito a possibilidade de ocorrência das chamadas "homozigoses indesejadas", que nada mais são do que justamente a possibilidade de genes recessivos causadores de problemas físicos, que podem eventualmente estar sendo portado por um determinado exemplar, acabarem por se manifestarem pela ocorrência do confronto gênico que esse tipo de acasalamento propicia em uma porcentagem muito maior.

Em todos esses anos em que venho desenvolvendo as minhas próprias linhas de sangue, pude constatar "na prática", que o tipo de acasalamento consangüíneo que mais oferece bons resultados, no que diz respeito ao aprimoramento genético, e com um risco muito menor de ocorrência de problemas físicos é, certamente, o acasalamento entre "Tio-Sobrinho".

Já li artigos sobre a utilização do "in-breeding" (consangüinidade bem próxima), que defende a idéia de que esse sistema seria o "ideal" para se homogeneizar um plantel. Se a intenção for formar um plantel de "clones", acredito que seja pertinente essa afirmação. No entanto, os grandes criadores da atualidade conseguiram uma consistência extraordinária nas suas linhas de sangue através do "linebreeding", que é justamente essa consangüinidade mais distante, principalmente entre tios-sobrinhos.

Vale lembrar, também, que seguir de maneira intransigente qualquer "fórmula mágica" para se produzir periquitos campeões, seja no processo de seleção genética e até mesmo na criação e manejo, levará qualquer criador bem intencionado ao caminho da "frustração e da amargura".

O que esses grandes criadores fazem no que diz respeito ao programa de seleção genética, é sim a utilização do que eu chamaria de "sistema híbrido", onde se desenvolvem efetivamente as linhas de sangue, mas ao mesmo tempo também se busca o aprimoramento das mesmas através do choque de indivíduos que mesmo que não sejam "parentes diretos", são oriundos de linhas de sangue consistentes, que já vem há muitas gerações sendo acasalados na consangüinidade indireta. Esse processo é diferente do chamado "Out-Crosser", pois o outcrosser é caracterizado por acasalamentos entre indivíduos não aparentados e que também são originários de acasalamentos "aleatórios", sem a utilização da consangüinidade.

A razão pela qual a consangüinidade permite a perpetuação de características físicas nos exemplares, é pelo fato de que as características físicas são determinadas não pela ação de genes isolados (como ocorre na maioria dos casos na genética que determina as "cores" e os "desenhos de asas" dos periquitos), mas sim pela ação conjunta de vários genes (recombinação gênica), e que são desconhecidos pela ciência. O que se consegue avaliar é o resultado que essas recombinações gênicas propiciam, justamente através da criação de exemplares de alta qualidade.

O que se faz então é agrupar esses exemplares em "famílias", formando-se assim as chamadas "linhas de sangue". Na prática o que ocorre é que, no momento em que você está agrupando esses exemplares em famílias, você também está conseqüentemente, selecionando essas chamadas "recombinações gênicas" (que produzem os aspectos físicos desejáveis), mesmo sem conhecermos cientificamente "quem são elas" e "como elas agem". Essa prática, ao longo do tempo, geração após geração, é que permite o desenvolvimento de linhas de sangue e de plantéis extremamente consistentes, que atravessam décadas. Grande abraço a todos.

Leia mais:
Tabela das cores nos periquitos australianos.
Variação de melaninas: As marcações nos periquitos
A base das cores dos periquitos
Melhorando os "inos" lutinos e albinos
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Amansando periquitos.

Aproveitamos a divulgação de um ensinamento por um criador de Campinas, São Paulo, Walter Ansante, "Amansando periquitos" e repassamos aos leitores do Vida de Periquito.

As vantagens de se amansar periquitos ou ter periquitos mansos na própria criação são muitas. Antes de tudo é interessante saber qual é o tipo de periquito mais indicado para essa finalidade, o sexo e idade também são importantes. Os dois tipos de periquitos (padrão inglês e comum) podem ser amansados, mas o ideal para essa finalidade é o tipo "inglês", principalmente devido ao seu tamanho maior (voa menos, mais quieto, etc.) e temperamento dócil (menos arisco, se assusta menos, etc.), características essas selecionadas pelos criadores visando principalmente as exposições. Quanto ao sexo, ambos podem ser amansados, mas é importante saber que as fêmeas quase sempre são temperamentais (com poucas exceções), isso implicará no futuro em bicadas muito mais vigorosas do que a dos machos. Por último a idade, obviamente quanto mais novo melhor, o ideal é amansar o filhote já desde o ninho.

Quanto às vantagens, vou citar algumas:
· Financeira, já que existe mercado para animais dóceis e mansos.
· Docilidade no manejo.
· Prazer pessoal na interatividade dos pássaros.

O processo para amansar os periquitos é bem simples na verdade, mas exige tempo e um pouco de paciência. Começa de manhã, na inspeção diária do ninho, onde observo filhote por filhote, se está limpo, seco e saudável, momento que eu administro a papa para filhotes com adição de albumina (com 80% de proteína) através de uma seringa (sem agulha) com um bico próprio para alimentar filhotes no ninho. A dose varia de acordo com a idade e tamanho de cada filhote. Nessa inspeção diária, procuro sempre fazer movimentos lentos e previsíveis com a mão e nenhum barulho repentino, além de carinho no rosto, inclusive sobre os olhos dos filhotes. Nessa região, logo atrás dos olhos está o ouvido do pássaro, o qual se esconde sob as penas. Notei que ao fazer esse movimento, vários filhotes literalmente bocejam o que me fez pensar que é possível que as fêmeas usem esse artifício para fazer os filhotes dormirem ou simplesmente tranqüilizá-los.

Após os filhotes saírem do ninho com aproximadamente um mês de vida, deixo-os no fundo da gaiola com os pais (desde que não estejam agressivos com os filhotes), com água e comida ao seu alcance. Depois de uns três ou Quatro dias (eles já estarão se alimentando sozinhos, porém ainda com ajuda dos pais) eu os separo em uma voadeira com outros filhotes que já sabem se alimentar sozinhos. Nessa fase, toda vez que inspeciono cada filhote, e a cada troca de tigelas de comida e água, procuro sempre fazer movimentos lentos com as mãos. Eventualmente um filhote curioso se aproximará dos seus dedos e tocará sua mão, isso deixará os outros muito interessados. Depois que o primeiro filhote perder o medo e se aproximar, será uma questão de tempo até os outros sigam o exemplo.

A partir do momento que os filhotes começam a voar, eu inicio o seguinte processo:
· No primeiro dia, entro no viveiro com um filhote no dedo e deixo-o voar durante meia hora, observando-o de perto.
· No segundo dia, se estiver voando bem o deixo uma manhã.
· No terceiro dia, se estiver voando bem o deixo definitivamente no viveiro.

O procedimento é simples, corpo imóvel, movimentando apenas a mão em direção a um pássaro específico (geralmente aquele que já está acostumado). Mostre a ele sua mão e aproxime devagar, pare quando faltar uns 20 cm, a partir daí se ele der sinal verde (como que querendo alcançar sua mão) você avança sempre devagar, mas se ele ameaçar voar não insista, recue e espere outro momento melhor. No caso de sinal verde, avance a mão e gentilmente encoste o dedo indicador um pouco abaixo do peito do pássaro (como se fosse um poleiro) e então faça uma pequena pressão contra o pássaro, isso basta para ele subir. A partir do momento que o pássaro está na sua mão, faça movimentos contínuos com o dedão para entreter o pássaro, pois se ficar parado, o animal irá embora. O mesmo procedimento vale se o pássaro estiver em gaiola.

Hoje em meu criadouro, aproximadamente 95% dos meus filhotes são amansados por mim, num processo natural. Quando entro no meu viveiro, passado o primeiro instante de medo, eles vão se aproximando aos poucos, e em pouco tempo estão interagindo com minha mão e não raro, subindo na manga da minha camisa, no ombro e às vezes puxando meu cabelo ou óculos. Às vezes há até briga pra disputar um lugar na minha mão... Acredite. Não raro, acontece de ter 8, 10 pássaros interagindo comigo, na mão, braço, ombros... Detalhe, não uso alimento ou guloseimas como isca.

Atenção a alguns detalhes, não tente fazer isso com pássaros adultos, pois a não ser que o criador do pássaro em questão o tenha amansado, será inútil e vai estressar o animal. As fêmeas, como já foi dito, bicam muito mais forte, então quando sentir algumas bicadas incômodas, é só deixar a mão cair, que eles voam.

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Num Galpão Gaúcho lá em Vila Nova - RS Andréia de Aquino

Criar periquitos é um hábito mundial e no Brasil encontramos criadores e criadoras de norte a sul do país. A leitora Andréia de Aquino, da cidade de Vila Nova, no Rio Grande do Sul é mais uma admiradora destas maravilhosas aves. Ela gosta da mutação opalina, onde as listras zebradas do pescoço não aparecem. O periquito fica com a cabeça branca nos exemplares azuis e cinzas e com a cabeça amarela nos verdes e verdes cinzas. Muda também o desenho das asas, destacando-se do corpo, de maneira especial. Para que a tradição seja mantida ela ensina seu afilhado, o lindo garotão Wendel a lidar com os filhotes em seu criadouro.






















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